Apenas descobrimos todas as faces das pessoas quando elas se afastam e não estão mais preocupadas em nos agradar.
Uma das coisas mais frustrantes da vida é perceber que aquilo em que acreditávamos, na verdade, não corresponde ao que idealizávamos. Essa perspectiva serve para todos os âmbitos: acadêmico, social, espiritual… O que mais causa desconforto nisso tudo é saber que, no fundo, ninguém deveria nos agradar.
Passamos nossas vidas tentando agradar as pessoas, mas, quando percebemos que não temos a obrigação de corresponder ao que elas idealizam, entendemos que elas também não devem corresponder aos nossos pensamentos.
Quantas vezes eu já não me decepcionei com alguém? Por alguns instantes, pensei que aquela pessoa nunca faria aquilo comigo. Então, refleti: a culpa era minha? Será que eu seguia algum tipo de padrão no qual deixava as pessoas me enganarem em minhas relações e, apenas quando elas tiravam suas máscaras, eu conseguia ver quem realmente eram? Ou será que elas apenas mudavam durante o processo em que estavam comigo?
É uma incógnita. Se alguém quebra minha confiança, a culpa é da pessoa que a quebrou ou minha, por ter confiado nela? Acredito que a autorresponsabilização e a culpabilização são sentimentos crescentes e recorrentes na atualidade. Entretanto, não necessariamente somos culpados por todas as relações fracassadas das quais participamos.
Às vezes, escolhemos pessoas ruins. Ou talvez sempre escolhamos pessoas ruins. O fim pode ser trágico e, na maioria das vezes, ele será. Já ouviram falar da Lei de Murphy? Exatamente. Ela também parece servir para as relações. A decepção, principalmente nos meios sociais, nos causa uma sensação de impotência. Afinal, o que você pode fazer diante da escolha do outro, além de se retirar?
Relações custam coragem. Voltar atrás pode custar algumas palavras; seguir em frente pode custar parte do passado; permanecer onde está pode comprometer todo o seu futuro. Seguir em frente, mesmo sem saber o rumo e sem ter ao seu lado a pessoa que o decepcionou, é, muitas vezes, a melhor hipótese. Isso não vai apagar sua dor e muito menos ressignificar totalmente a sua história mas é a continuação da sua vida, um tipo de novo capítulo que vale a pena ser lido e experienciado por você, e para você.